Ides of March

Dizem que quem é vivo sempre aparece e dizem que, sempre que eu volto, eu inicio meu texto com essa frase. Porque, aparentemente, eu continuo viva e continuo a aparecer. Felizmente, creio eu.

Muita coisa mudou em um curto espaço de tempo. Ou seja, trago novidades. Nem todas boas, mas o saldo geral tende a ser positivo. Ao menos no que tange saúde mental, as coisas andam bem. Ok, talvez não bem, mas definitivamente melhor que antes.

Eu terminei meu namoro. Depois de 3 anos de indas e vindas, decidi que aquele relacionamento não fazia mais sentido pra mim. Não no sentido de que deixei de gostar dele nem nada assim, mas no sentido de que estava me fazendo mal, mesmo. Não quero entrar em detalhes porque não vejo necessidade (ao menos não agora), mas é fato que aquele relacionamento acabou comigo em diversos aspectos. Quero deixar claro que não era de todo ruim, até porque se fosse eu não teria insistido por 3 anos, mas enfim. O término foi em outubro mesmo e desde então estou me recuperando, tenho momentos em que sinto muita raiva, ou muita angústia, ou muita alegria. É um luto bem bizarro.

Desisti da clínica autônoma. Sinto que 2025 me fez me desfazer de tudo aquilo que estava fadado ao fracasso na minha vida, e essa história de clínica autônoma foi mais uma dessas coisas. A quem eu estava tentando enganar? Esse caminho simplesmente não era para mim. Não entenda errado: eu amo atender pacientes. O problema é que, sendo autônoma, eu tinha que lidar com todo o resto também. Eu queria ser psicóloga, não uma empresa inteira. Quem sabe, um dia, se eu tiver dinheiro, eu volto. Por enquanto, I'm out.

Virei tabagista (for real this time). Eu fumo desde os meus 16 anos, mas ao longo desse tempo todo, eu parei várias vezes. Já cheguei a ficar uns 2 anos sem fumar, por exemplo. E, nesse tempo todo, eu não costumava fumar todo dia. Porém o final de 2025 foi extremamente desgastante para a mente do palhaço e, quando vi, estava fumando uma carteira por dia. Desde lá já consegui diminuir o ritmo, mas sigo fumando todos os dias e preciso comprar carteiras novas com alguma frequência. Quero parar, claro. Acho que todo fumante quer, no fundo. O difícil são os momentos de espera: enquanto espero o ônibus, no intervalo do trabalho, aqueles momentos em que não tem nada pra fazer e não dá tempo de fazer mais nada de útil... Não acender um cigarrinho nesses momentos parece impossível. Ugh.

Fiz 31 anos. Yay?

Arranjei emprego. Estou de volta no atendimento ao cliente, e dessa vez eu também atendo telefone (diferentemente da última vez, que era só email). Não é tão ruim quanto parece, pra falar a verdade. Eu genuinamente gosto de trabalhar atendendo pessoas e ajudando-as a resolver seus B.O.s, sejam psicológicos ou com algum produto que a empresa oferece. Acho um trabalho mil vezes mais digno do que diversos outros que existem capitalismo afora.

Show do Alesana. Minha banda da adolescência, Alesana, esteve em São Paulo no último dia 28 e eu fui assistir ao show. Pretendo falar mais sobre isso em post a parte, mas queria dizer apenas que foi mágico. Obrigada, vida.

Partidas e chegadas (e mais partidas). Nesse meio tempo, perdi amizades, reconectei com amizades, fiz novas amizades. Acho incrível como a vida tem esses movimentos e fico feliz demais de poder participar de tudo isso. A impermanência é igualmente assustadora e fascinante. P.S.: Fernanda, volta pra Curitiba. Você faz falta.

Creio que seja isso que ficou perdido no tempo enquanto eu sumi daqui. Sinto falta de escrever e postar, mas sinto que precisei desse tempinho afastada (elas sempre dizem isso..). Ando buscando equilíbrio. Tô fazendo Ho'oponopono e meditação guiada, falando menos palavrão, sabe? Alinhando meus chakras, mas tem vezes que eu só taco o foda-se e ajo igualzinho os cara.

Tranquila, no soy psycho

Estive tristinha. Bem tristinha. Tristinha a ponto de pensar em colocar tudo em dia, ajeitar todas as minhas coisas pra não dar trabalho pra ninguém, e partir dessa para uma melhor. Aí eu percebi o que estava me deixando tão tristinha e resolvi fazer alguma coisa. Não estou mais tristinha.

Desde então, minha vida tem mudado muito. Voltei a estudar e estou começando a me organizar politicamente. Tem sido muito bom. Estou contente comigo mesma.

Quando digo que voltei a estudar, quero dizer que resolvi fazer uma pós-graduação. EAD, sim, mas ainda uma pós-graduação. Desde que me formei, queria muito fazer alguma especialização. Queria estudar algo que pudesse me dar um direcionamento legal na clínica, como uma especialização em alguma terapia ou transtorno. Mas nada me fazia brilhar os olhos, então fiquei enrolando por muito tempo, esperando o dia em que virasse uma chavinha em mim e eu magicamente soubesse qual especialização gostaria de fazer. Não aconteceu.

Foi só quando me desvencilhei da área clínica que percebi o quanto queria estudar outras coisas. Eu continuo atendendo no particular, mas não tenho mais pretensão de crescer nessa área. Então, tirando esse peso da consciência, decidi iniciar uma pós em criminologia. Pretendo trabalhar com isso? Não sei. Mas tem sido muito interessante e só isso já está valendo. Estou buscando aproveitar a viagem ao invés de focar no destino. Eu não sei para onde quero ir, mas ficar parada só por causa disso não me agrega em nada. Vou me mexer e, em algum momento, sei que vou chegar em algum lugar. E se não for um lugar bom, eu parto para outro caminho. Não tem problema. A vida é pra ser vivida, não para ser acertada.

Percebi, também, que meu interesse pela morte pode ser seguido, sem necessariamente eu me sujeitar à ela. Em outras palavras, também tenho estudado tanatologia. Onde esse conhecimento vai me levar? Talvez à lugar nenhum. Mas confesso que me sinto bem em pensar em mim mesma como uma amiga da morte, alguém que a conhece a respeita, sem que para isso eu precise manter-me em ideação suicida. Espero que a morte me considere amiga também e me poupe por mais um tempo.

Por fim, no último final de semana fui à uma rave. Fui com pessoas confiáveis e foi uma experiência muito legal. Existe algo de muito catártico em ouvir música com bpm alto em volumes estratosféricos em conjunto com outras pessoas, mesmo que ninguém esteja interagindo direito entre si. Mesmo sem usar nenhum alucinógeno, senti que foi uma experiência mágica, ou pelo menos sensorialmente incrível. Infelizmente não consegui ficar até o final (a festa ia até 8h da manhã do dia seguinte) porque às 4h eu já estava morrendo de sono. Espero que numa próxima eu consiga ficar mais.

No mais, estou ok. Como disse, não estou mais tristinha, embora eu não esteja necessariamente super bem. Sinto que estou só ok. Só existindo. Vivendo. Fazendo minhas coisinhas. Pausa pro cigarrinho. Tudo ok. Tudo nos conformes. Estável, talvez. Espero que continue assim.

O dia que eu fiz um epub

Eu gosto de ler. Acho que já deu pra perceber pelo tanto de vezes que falei nos últimos tempos que, no ano passado, eu consegui ler 50 livros. Porém, muitas das coisas que tenho interesse em ler são as famosas novels chinesas, que são publicadas em sites que são uma espécie de wattpad chinês, então eu não tenho como acessar essas novels pelo meu Kindle (que virou meu modo preferido de leitura (na realidade eu sempre preferi ler no digital, já li muitos livros no computador, celular e tablet, mas um e-reader é definitivamente a melhor experiência)).

Até aí tudo bem porque, apesar de eu estudar há mais de 5 anos, eu não sei ler chinês. O meu nível de chinês é bastante básico, pra se virar numa viagem e só, então acabo contando com a boa vontade de tradutores amadores para ter acesso a essas novels.

E aí que tá a questão: esses tradutores não compartilham essas novels em um formato legal como .epub, ou até mesmo .pdf tava bom. Não, não, eles postam cada capítulo em um blog! Ou seja, uma novel é composta por diversas postagens, e se eu quisesse ler no Kindle, eu teria que ir lá, com toda a calma do mundo, copiar uma a uma e colar num editor de .epub. Entendo que os tradutores fazem isso por diversos motivos, dentre eles impedir (ou ao menos dificultar) o compartilhamento do seu trabalho sem os devidos créditos ou até mesmo ver pessoas cobrando pelo seu trabalho, e acho que os tradutores estão certos. Mas ai, pobre de mim, que só quero ler no meu Kindlezinho...

Eis que eu descobri que o meu problema era um não-problema. No sentido de que eu poderia, sim, conseguir fazer um .epub pra mandar pro Kindle. Eu só precisava da ajuda de uma cobrinha querida... Me aventurei novamente em Python!

Com a ajuda de uma biblioteca chamada Selenium, eu consegui fazer um script para extrair os textos das postagens e salvá-los em arquivos .txt de forma automática, sem precisar ficar entrando em cada página, copiando e colando o conteúdo. Aqui vale lembrar que o .epub nada mais é do que uma espécie de pasta comprimida com vários arquivos dentro, e cada capítulo de um livro é um arquivo dentro dessa pastinha, mas esses arquivos são no formato .html (ou .xhtml). Por isso, eu precisava converter o .txt para .html, e até aí é moleza, né? A questão é que o .txt não tem formatação nenhuma, enquanto o .html é um arquivo cheio de tags para formatar corretamente o conteúdo. Como resolver isso?

Python de novo, oras! Mais um mini scriptzinho e consegui converter todos os arquivos .txt em .html com as tags tudo certinho! A partir daí foi só abrir o Sigil, um programa open-source de edição de epubs, importar os arquivos, polir a formatação dos capítulos, criar o sumário, colocar a capa e voilà!

Agora poderei ler uma novel que estou querendo ler há muito tempo porém acabava sempre deixando pra lá porque só podia ler no site dos tradutores. E, antes que perguntem, eu não vou de forma alguma disponibilizar o arquivo para ninguém. Fiz isso apenas para o meu conforto e respeito o trabalho dos tradutores!

(Gostaria de dedicar este último parágrafo para agradecer minha amiga Ceci pela ajuda com Python, essa ideia não teria se tornado realidade se não fosse por ela!)